JSR-311: Java API for RESTful Web Services
January 31st, 2008Eu estou atualmente implementando alguns web services Restful, e estou avaliando opções para alguns pedaços do desenvolvimento. Eu já sabia que existia uma JSR para web services REST, mas ainda não tinha lido a mesma.Agora há pouco li a JSR-311, que definirá padrões de implementação Java para uma API Rest, do lado do servidor. A parte de implementação de clientes será tratada em outra(s) JSR(s) .
Esta JSR é bastante interessante, e já pude ver nela o tratamento de coisas muito úteis. De principal destaque para mim está a abordagem de mapeamento de URIs em recursos e métodos e a questão do mapeamento de classes Java para dados com diversos content-types.
Em relação às URIs, há a definição de regras para mapear URIs em classes e métodos, instanciando as classes necessárias e invocando os métodos adequados. Suponha por exemplo uma requisicao HTTP PUT na URI /usuario/16728/produto/228/configuracao/. Em um protocolo definido por mim, isto representaria uma atualização nas configurações do Produto 228 para o Usuário 16728. Um ser humano consegue entender isso sem tantos problemas, mas uma implementação manual destes mapeamentos e o parsing dos parâmetros podem ser coisas bem trabalhosas. A JSR 311 utiliza várias annotations para conseguir definir o encadeamento de classes e métodos a partir da URI utilizada, e isto faz com que você consiga desenvolver em Java normalmente e ter as suas classes instanciadas e invocadas com URIs tão flexíveis quanto você queira. Muito bom ter isso como recurso, pois implementar na mão é bem trabalhoso.
Outra coisa muito interessante é a maneira de mapear classes Java para diversos content-types. Isso é algo fundamental para uma implementação Restful com bastante flexibilidade E possivelmente alta performance. A idéia por trás disso é que o servidor recebe uma requisição de um cliente e verifica quais são os content-types que o cliente aceita. Com base nestas informações, o servidor escolhe a forma que irá utilizar para transmitir os dados.
Suponha por exemplo que uma aplicação PHP está se comunicando com seu servidor, e ele lhe informa que aceita os content-types text/plain, text/xml e application/json. O servidor pode escolher qual formato utilizar para o envio e possivelmente o envio com formato json facilita bastante a aplicação PHP. Este mesmo servidor pode receber requisições de uma outra aplicação Java, que preferencialmente receberá do seu servidor um stream binário, que terá a melhor performance de todas as opções.
O uso desta abordagem dos mapeamentos em content-types permite que sua aplicação tenha ao mesmo tempo alta interoperabilidade e alta performance. Você conseguirá se comunicar com várias plataformas e aplicações diferentes, e continuará tendo a opção de alta performance, caso seja uma aplicação da mesma plataforma. Você não consegue isso com web services WS-*. Eles não têm tamanha flexibilidade.
O meu próximo passo agora será analisar com detalhes o Jersey, a implementação de referência desta JSR. A especificação em si ainda está um tanto crua, pois ainda é um early draft. Já pude ver vários pontos interessantes, mas a definição ainda está sujeita a muitas modificações. Vou avaliar agora o que o Jersey já oferece e torcer para que ele já tenha componentes fáceis de usar e flexíveis. A proposta dele é excelente, vamos ver se a implementação consegue oferecer estes recursos sem amarrar muito as decisões de projeto.