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    Generalistas ou especialistas em um time ágil?

    June 17th, 2008

    O InfoQ publicou uma discussão interessante sobre a escolha de perfis em um time ágil. Nesta discussão, alguns defendem que um time formado somente por especialistas seria mais performático do que um time formado somente por generalistas. Outros defendem a escolha de especialistas somente em último caso. Existem também os que defendem o meio termo.

    Eu tenho uma opinião semelhante à do Scott Ambler:

    One approach is to build a team with some people who are generalists and some who are specialists, the generalists provide the glue within the team and focus on the bigger picture whereas the specialists focus on the detailed complexities of your project. This works well because the strengths of generalists balance the weaknesses of specialists and vice versa, and it is often quite useful for a generalist to pair with a specialist because of this balance. A better approach would be to build a team comprised of people who are generalists with one or two specialties — generalizing specialists.

    Eu acho que é legal ter um time equilibrado, onde os especialistas aos poucos vão melhorando habilidades diferentes de sua área principal. Não acho que necessariamente começar um time com especialistas seja uma má decisão, contanto que se estimule a versatilidade. Depois de algum tempo, especialistas multi-disciplinares podem aprender bastante uns com os outros e formar um time de excelente nível, com todos melhorando seu nível geral.

    Eu particularmente estou numa fase em que estou tentando aprender bastante sobre áreas nas quais eu ainda não sou tão forte como gostaria (a área de client side por exemplo). Acredito que o mais importante é o sentimento de humildade quanto aos nossos conhecimentos e o desejo de sempre estar melhorando. A decisão de qual caminho traçar vai depender das estratégias e escolhas pessoais de cada um, mas a humildade e a busca pela melhora constante devem estar sempre presentes.


    Projetando APIs e protocolos

    June 14th, 2008

    O Bill de hÓra publicou um post sobre um assunto que me interessa enormemente. Ele comentou sobre a dificuldade de se projetar boas APIs e protocolos.

    Para quem não o conhece, o Bill de hÓra foi o co-editor da RFC do AtomPub, o protocolo de publicação do formato Atom. No post ele comentou sobre a dificuldade de elaborar um bom protocolo de comunicação (no caso o AtomPub). O trabalho demorou mais de 2 anos para ser concluído, e neste 2 anos não contam o tempo no qual o Joe Gregorio (o outro editor da RFC) já estava trabalhando no protocolo antes.

    Uma observação que ele faz é que é difícil encontrar indivíduos capazes de projetar boas APIs, e bem mais difícil é encontrar indivíduos capazes de projetar bons protocolos de comunicação. Algumas pessoas dizem que essas habilidades (projetar APIs e projetar protocolos) são de certa forma opostas, o que implica que seria especialmente difícil encontrar pessoas com habilidade nas 2 coisas.

    Ler esse post foi motivante e inspirador para mim.  Neste exato momento eu estou fazendo as duas coisas simultaneamente. Meu time é responsável pelo sistema de cadastro de usuários e autenticação da Globo.com, entre outras coisas. Esse sistema é provavelmente o que possui mais clientes internos na empresa. A implementação original utilizava EJBs para comunicação remota entre clientes e o servidor, e permitia apenas clientes Java.

    Estamos progressivamente saindo dessa estrutura. Estamos implementando novas interfaces e clientes que usam serviços REST na comunicação, em vez dos EJBs. Isto está sendo feito de forma progressiva porque nenhum Product Owner daria alto valor de negócio para uma migração dessas, exceto em situações extremas (que não são nosso caso).

    Pois bem, nesta migração eu estou atuando nas 2 frentes que o Bill de hÓra classificou como desafiadoras. Estamos modelando os serviços REST e o novo protocolo de comunicação. E estamos também implementando uma API Java para realizar as operações através deste novo protocolo.

    Sem dúvida esta migração é desafiadora. De fato não é fácil elaborar um bom protocolo e uma boa API. Porém, isto também motiva demais. Quem acompanha o meu blog já sabe do meu apreço por serviços REST. Assim, este trabalho atual tem sido ótimo para conseguir explorar inúmeras situações envolvidas neste tipo de comunicação.

    Para minha sorte, pude contar com alguns pontos facilitadores. Na elaboração do protocolo, o conhecimento do AtomPub ajuda muito. Eu já conheço bem esse protocolo e tinha desenvolvido serviços REST em alguns projetos, então essa parte da empreitada ficou muito facilitada.

    Além disso, o conhecimento da API Java anterior do projeto traz várias idéias que podemos explorar. Algumas decisões na API anterior foram muito boas, e outras trouxeram alguns problemas. Eu não participei da implementação original do projeto (isso foi em 2004), mas após trabalhar no projeto por bastante tempo, consegui vivenciar bem os problemas dela. O principal era o alto acoplamento entre o servidor e os clientes, então isso é o principal ganho que pretendemos ter com essa nova implementação baseada em REST.

    O outro ponto facilitador é estar no mesmo time que o Silvano, certamente um dos melhores caras que já conheci tecnicamente. Nós temos visões complementares sobre a arquitetura e a implementação. As idéias que colocamos na prática após as freqüentes discussões são muito superiores às que eu ou ele seríamos capazes de desenvolver individualmente. Com a liberdade de decisões técnicas que temos na Globo (principalmente após a adoção do Scrum), conseguimos evoluir nossas aplicações progressivamente, sempre avaliando pontos positivos e negativos das decisões anteriores.

    Após ler esse post do Bill, tive uma dimensão melhor da grandeza do desafio que estamos tendo agora. Isto traz ainda mais motivação, e não abala a confiança. Tenho a mesma sensação que Isaac Newton teve ao dizer que “se ele pôde enxergar mais longe foi porque se apoiou nos ombros de gigantes”.

    Quando estamos trabalhando freqüentemente com padrões e tecnologias abertas, temos sempre essa vantagem. Viver no mundo open source é se apoiar sempre nos ombros de gigantes, e então qualquer desafio fica muito mais suave e a nossa confiança aumenta. É por isso que eu amo o que faço ;)


    Bem-vindos ao novo endereço do meu blog!

    June 11th, 2008

    Olá amigos do Bruno Pereira! Falamos direto do novo host do blog, onde muita coisa legal vai acontecer! :)

    Por enquanto o conteúdo desse blog é apenas o conteúdo importado do blog anterior. Entretanto, aos poucos farei uso dos recursos que disponho nesta hospedagem e colocarei algumas coisas interessantes aqui.

    Uma das coisas que mais me agradava na hospedagem gratuita do Wordpress era que o SEO deles é excelente. Meus posts apareciam muito bem em várias buscas do Google, e isso é um ponto importante para o sucesso de qualquer blog. Eu instalei um plugin que gera o sitemap para as engines de busca e espero que isso tenha resultados semelhantes ao Wordpress gratuito.

    Bom, se você já conhecia o meu blog antigo, continue acompanhando ele por aqui, pois pretendo continuar melhorando o conteúdo por aqui.

    Buenas noches!


    Gestão de conhecimento do time

    June 6th, 2008

    Eu tenho pensado um pouco sobre isso nos últimos tempos, então decidi falar aqui no blog porque possivelmente muitas pessoas têm questionamentos semelhantes.

    Inicialmente vou contextualizar um pouco para depois ficar mais fácil de expôr algumas idéias. Meu time na Globo.com é formado atualmente por 3 desenvolvedores, 1 especialista em client-side e 2 arquitetos de informação (até semana passada eram 3). Temos um backlog de produto enorme, pois a equipe era formada apenas por 2 desenvolvedores antes da minha chegada em Janeiro. O resto do pessoal se juntou ao time em Março.

    Uma coisa importante no Scrum (na verdade, em qualquer metodologia hoje em dia) é que os desenvolvedores sejam versáteis, e consigam atuar de várias formas diferentes, mudando de ferramentas, frameworks e linguagens sem problemas. Para que os desenvolvedores consigam fazer isso, é claro que é fundamental que eles estudem bastante e estejam sempre se atualizando, pois as opções de tecnologias disponíveis estão avançando muito rapidamente.

    Outra coisa importante é que mais de um desenvolvedor do time seja capaz de realizar qualquer tarefa específica. Isto é importante pelo compartilhamento do conhecimento e para que seja possível lidar tranqüilamente com problemas pessoais, férias, etc. Neste sentido, precisamos pensar muito mais no conhecimento do time do que no conhecimento de indivíduos separadamente.

    O que eu quero dizer com isso? Quero dizer que para um time andar bem, as escolhas de tecnologias idealmente devem ser moldadas em torno do time. Com a infinidade de opções que temos de frameworks web, APIs javascript/ajax, linguagens e componentes, não podemos nos dar ao luxo de ficar continuamente acompanhando as novidades e avaliando novas opções. Precisamos fazer algumas escolhas, e avançar com elas. É claro que isso pode e deve ser periodicamente revisto, mas é fundamental escolher algumas opções e se concentrar nelas.

    Os 3 desenvolvedores do meu time têm experiência muito mais em Java do que em outras linguagens. Nossas aplicações são todas em Java, embora já estejamos fazendo experimentos com outras linguagens. Entretanto, concordo bastante com um artigo que saiu no InfoQ recentemente, que traz a idéia de que Java pode ser a última grande linguagem. Compartilho da idéia do autor de que provavelmente estaremos nos próximos anos escolhendo linguagens de uma forma semelhante à que escolhíamos frameworks Java nos últimos anos.

    Java é uma linguagem de propósito geral. Gosto muito da linguagem e da plataforma. Mas com novas linguagens/frameworks direcionados para problemas específicos, é natural que em alguns nichos Java não seja a melhor opção. Penso que isso está acontecendo com mais força em aplicações web. Novas opções como o Grails, Django e Ruby on Rails oferecem um desenvolvimento muito mais produtivo do que Java em algumas aplicações. Java possui ótimos frameworks web, e já é uma linguagem muito madura. Mas quem já utilizou alguma dessas 3 opções que mencionei já pôde constatar o choque de produtividade delas contra a maioria dos frameworks web Java.

    Conversei sobre isso com o resto do time e a minha opinião é de que devemos nos concentrar em torno de um conjunto limitado de opções, para que o time tenha um melhor rendimento. Com isso, o ideal é que o time conheça bem 2 ou talvez 3 frameworks web Java, 1 ou 2 das opções de alta produtividade web, e 1 ou 2 opções de framework javascript/ajax (jQuery por exemplo). As escolhas devem ser feitas pelo time em conjunto, de acordo com as aptidões e conhecimento agregado dos membros.

    Trabalhando com um conjunto reduzido de opções, fica muito mais fácil compartilhar o conhecimento dentro da equipe, e conseguimos que os desenvolvedores conheçam bem esses componentes escolhidos e sejam produtivos com eles. Não adianta muito que um dos desenvolvedores saque muito do “melhor framework web da história desse país”, mas só ele conheça esse framework.

    É melhor que seja utilizada uma opção que o time de uma maneira geral já conheça e seja produtivo. Pode ser que essa 2a opção não produza flocos tão crocantes como aquele outro framework, mas se é uma boa ferramenta para o problema e o time conhece bem, use essa mesma!

    É claro que em algumas situações nós precisamos abrir mão de algo que conhecemos bem para utilizar uma opção que se adequa melhor aos outros membros do time. Vamor supor que um dos desenvolvedores saca muito de Tapestry e considera que ele é o melhor framework web Java. Se os outros 3 desenvolvedores já conhecem bem de JSF, provavelmente a melhor alternativa é que o time use JSF, e aquele desenvolvedor abra mão do Tapestry em favor do JSF. Pode ser que o Tapestry seja melhor tecnicamente do que JSF, mas os resultados têm que ser entregues pelo time, então as escolhas têm que ser feitas em torno das aptidões do time como um todo.

    Tendo feito as escolhas de tecnologias, o legal é que os desenvolvedores se revezem com alguma freqüência entre as linhas de atuação, para propagar melhor o conhecimento e o time como um todo amadurecer. Eu por exemplo conheço legal de REST, mas os outros 2 desenvolvedores do time já implementaram alguns serviços e clientes REST, e com certeza têm plena condição de trabalhar em qualquer um dos serviços REST que eu implementei.

    Aos poucos estamos aprendendo mais da parte client com o especialista do time, e ele também já está aprendendo um pouco de JSF, e com isso vamos todos amadurecendo. Essa gestão de conhecimento do time deve ser muito bem feita, para que os resultados do time vão melhorando progressivamente sprint após sprint. A decisão de se concentrar em algumas escolhas (mesmo que talvez elas não sejam as melhores tecnicamente) é muito importante para que o time se mantenha produtivo.

    Todos gostamos muito de software, e de avaliar novidades. Porém, não somos pesquisadores, somos desenvolvedores comprometidos com resultados. Essa decisão das escolhas do time é muito importante. Nosso tempo de estudo é limitado, portanto precisamos ser pragmáticos e focar nos resultados.


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