O Português que todos nós estudamos não é mais o mesmo. A iniciativa de unificar a língua entre todos os países já está em vigor, e agora nossos conhecimentos prévios estão desatualizados.
Acredito que a maior motivação para esta unificação é o fato de que a língua espanhola possui grafia unificada, e então alguém convenceu muitas pessoas de que a língua portuguesa também precisava de status semelhante.
Pois bem, ao invés de ficar questionando a pertinência e a necessidade desta unificação, farei diferente. Vou aderir ao movimento e então propôr possíveis extensões ao mesmo.
Já que unificamos o Português, não podemos deixar o Tupi de fora
O Brasil é com folga o país onde mais pessoas falam Português. Entretanto, não podemos esquecer que há aqui também milhões de pessoas que falam fluentemente a segunda língua nacional: o Tupi.
Sim, claro. Não podemos deixar desamparadas todas as pessoas que estão nesse momento se perguntando: “Como é que vai ser pra mim escrever agora??”. “Vai ser difícil pra mim estudar de novo com essa idade!”. “O que é que nós vai fazer??”. “A gente vamos ser obrigado a escrever diferente??”
Não, tenho certeza de que esta importante parte de nosso povo não foi esquecida. Nunca na história desse país o Tupi foi deixado de lado! Além do “Bolsa Escola” e do “Bolsa Família” teremos o “Bolsa Tupi” e o “Bolsa Tabuada”. Nosso povo vai ver a valorização do Tupi. E vai saber contar tão bem que o enigma de “Com quantos paus se faz uma canoa?” será desvendado! Só que esses programas não podem disputar orçamento com o “Bolsa Novela”, pois o povo não pode deixar de ver novela! Como seria possível fazer o controle de natalidade no Brasil se nem todo mundo tem televisão?!?
Não podemos também esquecer do mais novo tempo verbal: o Futuro do Gerúndio
Juro que não entendi. Não foi contemplado na unificação o tempo verbal que está mais na moda atualmente! Em todo o canto que vamos está presente o Futuro do Gerúndio, e tiveram o desleixo de deixá-lo de fora??
“Assim não dá! Vou estar te mandando um documento reclamando disso!”. “Além disso, vou estar te ligando amanhã para saber o andamento daquilo.” “Vamos também estar te entregando em breve uma lista com as assinaturas.” “Quero saber logo quando vamos estar incluindo o Futuro do Gerúndio no Português unificado!”
O Português será a língua mais rica de todas
Estou muito animado. Com todas estas novidades unificadas, teremos uma língua rica e diversificada, contemplando inúmeras formas de expressão. Aliás, proponho que seja reformulado o ensino de Português nas escolas. Não sei por que precisamos corrigir, em vez de abraçar a diversidade! Por que precisamos desta postura tão negativa?? Só porque as pessoas não sabem a diferença de “Porque”, “Porquê”, “Por que” e “Por quê”??? Não precisamos ser tão críticos, vamos abraçar a diversidade!
Não devemos mais corrigir quando alguém falar:
- Nós vai
- A gente vamos
- Menas
- Ela tá meia tonta
- Mesmo que esteje chovendo
- Mesmo que seje ele o culpado
- Etc etc etc
Como pudemos ver, a unificação do Português foi fundamental para o futuro das nações que falam a língua! Mas não podemos deixar tanta coisa importante de fora! Já que tantos documentos, livros e tratados terão que ser reimpressos com a unificação, é uma pena não oficializarmos tanta riqueza que temos na nossa língua.
O governo da Bolívia acabou de anunciar o fim do analfabetismo no país. Isto quer dizer que pelo menos 96% dos bolivianos são capazes de ler e escrever corretamente em sua língua nativa.
O Brasil ainda está bem longe deste feito, mas com a unificação integral do Português nós poderíamos nos aproximar bastante não é? Vamos abraçar a diversidade e dar ao nosso digníssimo presidente a chance de dizer que “nunca na história deste país a população foi tão alfabetizada”!
Mas eu aqui no meu cantinho tomarei a liberdade de usar o mesmo Português que aprendi tão bem no Colégio Militar e que aprendi a apreciar em tantos livros e obras que já li. Espero que vocês não se incomodem de ler um Português tão ultrapassado por aqui
Esse post foi uma crítica construtiva ou negativa?
Oi Rafael, isso foi um desabafo contra o desperdício de esforço e dinheiro em uma iniciativa muito menos importante do que fazer com que o povo conheça decentemente a própria língua
Já que você também fala de tecnologia, vamos fazer um paralelo: Será que o JCP teria que esperar todos os programadores interessados aprenderem corretamente Java para poder finalmente evoluir a linguagem? Será que a evolução da versão 1.4 para 5 foi precipitada e exagerada só porque o esforço e dinheiro para evoluir ferramentas e outras implementações da linguagem, como a da Apache, é alto ?
Eu não considero desperdício, mas uma evolução natural das coisas. Sem essa evolução a gente estaria até hoje escrevendo “pharmacia”.
Oi Hildeberto, eu entendo seu ponto de vista. Eu não sou contra a unificação por si só. O que me incomoda é ver o nível sofrível do Português da grande maioria da população, e pouca coisa sendo feita a respeito disso.
Agora, em relação ao JCP, quem aprende Java é porque quer. É diferente de Português, que todos os brasileiros deveriam conhecer corretamente. O JCP não tem obrigação de ensinar Java a ninguém, mas o governo brasileiro deveria necessariamente tratar melhor a educação nacional.
Senão daqui a pouco vamos ter um presidente analfabeto, um presidente da Câmara analfabeto… ops, mas já temos/tivemos, não é mesmo? É isso que me incomoda, a falta de atenção com a educação da população.
Fala, Bruninho!
Maneira a notícia sobre a Bolívia, mas será que é pra valer mesmo? Não levo muito a sério nada divulgado pelo índio cocaleiro. O pessoal lá pode até saber ler e escrever, mas será que *entendem* o que estão lendo/escrevendo? Tenho minhas dúvidas…
Quanto à unificação do idioma, acho que já tinham que ter criado um “branch” separado para o português do Brasil. O português só é a sexta (ou quinta? Ou sétima?) língua mais falada do mundo por causa de 190 milhões de brasileiros. Se não me engano é mais que 10 vezes o número de falantes em todos os outros países lusófonos juntos. Então, se querem unificar algo, que unifiquem de acordo com a esmagadora maioria (na qual eu, convenientemente, me incluo). Mas já que fomos voto vencido, adaptar-me-ei às novas regras. Não quero me tornar esses velhos que, quando corrigidos pela molecada, usam como muleta a frase: “Mas na minha época era assim que se escrevia!”
Aquele abraço!