Continuando o tema do meu artigo anterior, agora quero falar sobre a importância do open source profissional.
Na última quinta-feira eu fui na palestra do Bruno Borges no RioJUG, sobre Apache Camel. A palestra em si foi bem legal, pois eu já conhecia um pouco do Apache Camel e pude ver algumas coisas a mais. Mas o ponto específico que eu quero abordar é um comentário que o Bruno fez, que diverge da minha postura em relação a open source.
Ele comentou que tenta sempre utilizar produtos Apache, evitando produtos open source que tenham vínculo com alguma empresa, como JBoss, SpringSource, entre outras. Não me recordo do motivo exato, mas a razão principal que ele explicou é o fato da Apache Software Foundation ser uma fundação composta de pessoas, em vez de ser uma empresa com fins comerciais.
Eu tenho uma postura diferente da dele em relação a open source. Eu gosto muito e tenho um respeito enorme pela fundação Apache. Já usei inúmeros produtos Apache e certamente continuarei usando por muito tempo. Entretanto, já usei vários produtos JBoss e vários componentes do Spring, e acho muito importante e saudável a existência dessas empresas.
A história do movimento open source tem vários elementos “românticos” e “filosóficos”, e essa característica ainda é muito presente em várias comunidades hoje em dia. Entretanto, com o crescimento do Linux, Java, Python, Ruby e outras tecnologias, existe hoje um mercado enorme de trabalho e negócios em torno do software livre.
O surgimento desse mercado naturalmente trouxe a participação de muitas empresas que vivem de software livre atualmente. Sei que há pessoas que enxergam open source e capitalismo como coisas opostas, mas na minha opinião essa visão é míope. Open source é um modelo de desenvolvimento de software e oferta de produtos e serviços. A busca do lucro é o que move nossas empresas, e isso não é diferente para quem atua com software livre.
O surgimento das empresas profissionais open source foi importantíssimo para o amadurecimento das tecnologias e dos profissionais. Se o movimento open source continuasse restrito ao meio acadêmico, o nível de competição no mercado de software seria muito menor, e o avanço tecnológico teria sido bem mais lento.
Além disso, minha postura profissional é de tentar sempre entregar os melhores resultados para os clientes e para a empresa em que trabalho. Em algumas situações pode ser mais adequado usar open source, em outras pode ser necessário usar software proprietário. Temos que nos adequar às necessidades dos clientes, em vez de esperar que eles se adeqüem às nossas preferências.
No meu ponto de vista, empresas como JBoss e SpringSource contribuíram e contribuem muito no processo de profissionalização do software livre. A existência delas criou um mercado fortíssimo em torno do software livre, e eu só tenho a agradecer por isso.
Ótimo post Bruno.
Opensource descompromissado, ou como um monte de bibliotecas sem muita documentação e garantia de continuidade é o que faz com que muitas pessoas ainda abominem opensource.
Eu não fui nessa palestra, mas é interessante, pois no caso do Apache Camel, há sim empresas por trás, que é a Fuse, que no fundo é uma empresa da Progress Software, que é sim uma empresa normal como qualquer outra que visa “lucro”. Só que a “capa” do desenvolvimento ao invés de ser o JBoss.ORG ou o Java.Net (Projetos Sun) é a Apache Software Foundation, uma instituição que também recebe incentivo$ para manter alguns de seus projetos chave.
Claro que é simples, para um profissional descompromissado, onde a sua empresa é apenas uma forma de recebimento de salário “PJ”, em emitir um comentário destes, porém, para uma empresa que conta com uma folha de pagamento para pagar e com contas efetivas, vai construir software com código aberto, mas ela precisa ganhar de alguma forma, é simples assim, é o capitalismo, e isso não é culpa de ninguem.
A Progress agora deve ser odiada, o Apache Camel vai ser menos usado porque há uma empresa por trás dele? Claro que não
Ao invés do cara dizer: “Pessoal, se vocês usem o Camel, e querem que ele possa continuar e evoluir com maior segurança, e se vocês precisarem de um apoio mais próximo e SLA consulte a página de suporte deles: http://fusesource.com/enterprise-support/support-offerings/ “. Mas não…. É mais fácil transmitir essa visão utópica de “opensource==software de graça”.
Mas eu tenho certeza, que um dia as pessoas vão entender e refletir nas coisas de uma forma mais inteligente.
Pois é Edgar, existe uma falta de compreensão enorme a respeito de open source. É óbvio que open source precisa de empresas fortes para ter sucesso, pois caso contrário ninguém levaria a sério.
Para entender o que é realmente open source com uma visão madura, temos que analisá-lo num contexto de negócios. Avaliar o custo total das soluções, retorno e risco sobre investimento, entre outros fatores. Como você falou, existe a visão míope de “open source = software de graça”.
Aqui no Brasil ainda temos muito para amadurecer nesse sentido. Temos que ver todo software (open source ou comercial) como um ativo corporativo, considerando os custos, riscos, benefícios e vantagens de cada ativo. E o papel do open source comercial é importantíssimo para o nosso amadurecimento.
Estou estudando PHP e estou fazendo meu Blog. Tem algum bizú? Me fala.
Ótimo post meu velho! Juro que vou dar uma vasculhada nas matérias e postar…
Parabéns
Excelente post!
Começei agora a usar linux, gostei muito, e começo a perceber que o “opensource ao extremo” acaba com o profissionalismo.
É louvável toda a filosofia do software livre, é uma forma mais “humana” de trabalhar com software, mas é como religião, não se pode chegar ao extremismo.
Abraços!