Eu sempre gostei muito de open source, e durante a maior parte da minha carreira trabalhei com open source em vários níveis. Com freqüência eu penso sobre vários aspectos da cultura open source, e recentemente tive contato com 2 coisas em particular que eu gostaria de destacar. Falarei sobre uma delas nesse artigo, e sobre a outra no artigo seguinte.
A primeira delas diz respeito à diferença de filosofia entre o Ubuntu e o Debian. Eu uso Kubuntu em casa há quase 3 anos. É a minha distribuição preferida, depois de já ter usado várias desde 2003, quando comecei a usar Linux em casa.
Na sexta-feira chegou na Concrete o meu laptop para uso diário, um Dell Vostro 1510, e nesse fim de semana eu instalei nele o Debian Lenny e configurei tudo que eu precisava para já começar a trabalhar com ele na segunda-feira. Instalei o Debian porque ele foi definido como distribuição padrão da empresa, então tive que abrir mão do Kubuntu.
O Kubuntu é baseado no Debian, então a grande maioria das coisas não muda entre os 2. Contudo, como diz o ditado: “O diabo está nos detalhes”. As notáveis diferenças entre o Debian e o Kubuntu são as coisas que o Kubuntu facilita demais, como configuração de conexão wireless, drivers multimídia do teclado, entre outras coisas. Nesses detalhes você consegue perceber claramente a diferença de cultura, pois o Debian tem uma postura quase religiosa quanto ao uso de softwares que não sejam “totalmente open source”.
Já no Ubuntu, a postura é de usar open source ao máximo, mas facilitando a vida dos usuários. Assim, quando você precisa de um driver ou componente proprietário, o Ubuntu te avisa que não é totalmente open source, mas já prepara tudo para que você tenha o mínimo de aborrecimento. Isso faz toda a diferença, pois muita gente (como eu) quer usar um desktop Linux que “simplesmente funcione”.
Quando eu comecei a usar Linux em casa eu gostava de fuçar e conhecer cada detalhe, como aprendizado mesmo. Isso foi ótimo para mim, e certamente me ajuda muito profissionalmente. Porém, hoje meu foco é outro, e eu quero que minha máquina “simplesmente funcione”, sem ter que estudar para configurar coisas cotidianas. O Ubuntu ganhou uma fatia enorme dos usuários Linux porque oferece isso. Já o Debian te oferece ricas aulas sobre o “pensamento verdadeiramente open source” e sobre os detalhes das entranhas do Linux. Mas a contrapartida é que você vai ter que estudar muito pra fazer coisas que no Ubuntu são triviais.
Cada um tem a sua própria visão e postura sobre open source, e devemos respeitar as diferentes formas de pensar. Eu particularmente me identifico muito mais com a visão “open source profissional”, sobre a qual falarei no próximo artigo.
O Ubuntu é realmente maravilhoso em fazer o que um sistema operacional deve fazer: não ser percebido. Também já usei outras distribuições como o Fedora (que me deu muita dor de cabeça) o Debian e no começo, bem no comecinho dos meus “estudos sobre Linux” usei o Kurumin.
Ao ver o Ubuntu pela primeira vez foi amor a primeira vista. Ele ainda tem o que melhorar, mas o pessoal da Canonical está fazendo um trabalho excepcional em torná-lo a melhor distribuição Linux para usuários domésticos.
Já tem 2 anos que utilizo ele direto em meu PC sem tocar em outro S.O. para nada – pelo menos na minha máquina.
Oi Rafael, realmente o Ubuntu/Kubuntu é excepcional. Melhor opção para quem quer ter só prazer usando um desktop Linux. Eu também nunca mais pensei em trocar de distribuição depois que comecei a usá-lo.
Que pena que você não pode usar a sua distro preferida. Acredito friamente que quando o desenvolvedor pode configurar o seu ambiente de trabalho, isso o faz ser mais produtivo em todos os aspectos.
Ship-It Page 17 Says: “Your own development machine should be designed to contribute to your own productivity”.
Limitar o desenvolvedor com uma distro é o mesmo que obriga-lo a usar o windows pra desenvolver.
[]s
Oi Emerson, eu concordo que o ideal é usar o que funciona melhor para o profissional. O Debian já está 95% adequado às minhas necessidades, e ele é bem semelhante ao Kubuntu (pois o *ubuntu é baseado no Debian).
Eu vou continuar usando o Debian mais um tempo, e acho que não vou ter grandes problemas de adaptação. Se ainda tiver alguma coisa me incomodando depois de 1 semana usando, eu instalo e Kubuntu e tudo fica trank.
[]s
Eu já usei algumas distribuições de Linux, e depois que comecei a usar o Ubuntu, há alguns anos, também não larguei mais.
Você percebeu alguma diferença de desempenho com o Debian? Um colega meu é grande defensor do Debian, e disse que é muito mais leve que o Ubuntu.
[]s
Oi Guilherme, eu também prefiro muito mais o *buntu, mas eu prefiro KDE, então no meu caso é o Kubuntu. Em termos de performance não tem diferença não.
Estou achando o Debian idêntico ao Kubuntu em termos de performance, então não vejo nenhuma motivação especial para usar o Debian em vez de Kubuntu. A verdade é que os 2 são bem parecidos, mas o Kubuntu facilita algumas configurações.
Grande Bruno!
Eu tenho uma opinião um pouco cética com relação aos SOs linux, principalmente quando vejo a minha mãe usando o computador dela.
Um dia desses ela recebeu um arquivo chamado docx e ela não conseguiu abrir.
Incrível como ela só faz o que ela aprendeu comigo! Ela simplesmente anotou tudo o que eu ensinei!
Se mudar 1 milímetro do padrão ensinado, meu telefone com certeza vai tocar!
E olha que ela usa windows xp, que ao meu ver é tudo muito simples de se usar.
Imagina um linux na mão dela!!! Com toda certeza do mundo ela surtaria de raiva!
Na minha visão, SOs linux são única e exclusivamente focados nos desenvolvedores. Se nós, heavy users, perdemos horas pra configurar uma rede wireless ou algo parecido, imagina um usuário dummy!
E os problemas que o windows tem de travar, desligar sozinho, etc…. acontece no Ubuntu tb!
Ainda uso windows xp em casa com RECEIO de não consegui configurar a minha rede em casa pois não tenho a mínima paciência de ficar procurando no google como fazer coisas básicas!
A minha máquina em casa funciona perfeitamente há pelo menos uns 4 anos sem NENHUM problema.
Pq mudaria de SO?