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  • Agriões, chuchus e maniçobas de software

    November 3rd, 2008

    Eu estava pensando hoje sobre coisas que já estudei em software e em possíveis formas de classificá-las, e acabei chegando em categorias um tanto peculiares :)

    Algumas coisas a gente estuda com um pouco de desânimo, sem tanto tesão. Sabemos que são coisas úteis e importantes, mas não muito prazerosas de estudar. Esta categoria eu vou chamar de Agrião. É meio amargo de digerir, mas é nutritivo e acaba fazendo bem.

    Estudos meus nesta categoria incluem a minha preparação para as provas SCJP e SCWCD, minha experiência com Ant e também meus estudos de Web Services WS-I. No período em que estudei essas coisas, não me diverti muito, mas elas me trouxeram conhecimentos úteis e importantes, e eu achei bastante válido o período que investi engulindo esses agriões :)

    Uma segunda categoria de conhecimentos é a que parece que te trará benefícios, mas no final das contas parece que o estudo foi uma perda de tempo. São semelhantes àqueles alimentos que não são muito gostosos, mas você supõe que devem fazer bem à saúde, para acabar se decepcionando ao saber que eles não te acrescentam em nada. São os perfeitos chuchus!

    Dentro desta categoria eu incluo a minha preparação para a prova de arquiteto Java (SCEA), a parte de custom taglibs da prova SCWCD e um período no qual eu estudei bastante sobre desenvolvimento para Palm OS. Não aprendi quase nada estudando pra SCEA, odiei estudar custom taglibs e nunca tive necessidade e nem vi sentido em escrever uma custom tag e o Palm OS está de mal a pior, e o que eu aprendi sobre ele nunca me foi útil.

    Uma terceira categoria classifica as coisas que inicialmente a gente não gosta da aparência. Temos uma certa rejeição inicial e ficamos um pouco afastados. Quando finalmente resolvemos enfrentar a feiura, descobrimos um valor enorme atrás daquele aspecto medonho, e nos perguntamos porque não havíamos dado uma chance àquilo antes. Esta é a categoria da Maniçoba! (Alerta: eu pessoalmente nunca comi Maniçoba, estou me baseando no relato de algumas pessoas com experiência no assunto… hehehe)

    Dentro desta categoria para mim estão Javascript, CSS e Maven. Até uns 2 anos atrás, eu não gostava de Javascript e CSS. Eu sempre achava um saco mexer com isso, e definitivamente não era muito produtivo. Claro que eu acabei vendo que isso era uma visão míope minha, e que Javascript e CSS além de muito úteis, são interessantes e divertidos depois que você pega a manha.

    Devo dizer que e jQuery e os plugins Web Developer e Firebug foram fundamentais para minha mudança de mentalidade. O poder e simplicidade dessas ferramentas me ajudaram a ver o poder de Javascript e CSS, e eu acabei me interessando cada vez mais por ambos, e hoje em dia eu gosto de mexer com isso.

    O Maven eu demorei séculos para estudar e conhecer. Eu tinha sempre uma certa resistência, porque eu já conhecia bem o Ant. E o Maven não é uma ferramenta óbvia de se utilizar. É necessário conhecer razoavelmente a idéia geral da coisa e os principais detalhes envolvidos. Caso contrário você se irritará demais e a sua experiência será péssima. Entretanto, depois de conhecê-lo, o Maven é extremamente poderoso e produtivo, e é uma ferramenta muito profissional que ajuda muito na construção de software componentizado.

    Um professor meu da faculdade dizia que SQL é muito fácil para coisas fáceis, e muito difícil para coisas complexas. Penso que o mesmo pode ser dito sobre o Maven. Entretanto, se você comparar o esforço de utilizá-lo com o esforço de fazer as coisas com o Ant, definitivamente vale a pena investir no Maven.

    E aí, quais são os seus Agriões, seus Chuchus e suas Maniçobas?? Você tem se alimentado bem ultimamente ou só tem ingerido porcarias??

    Bons profissionais de software precisam de uma dieta equilibrada de conhecimentos, então é importante saber selecionar o que você vai consumir, para que seu rendimento seja ótimo, e se possível, que o processo seja saboroso ;)


    A cadeia do porrete no Rio de Janeiro

    September 9th, 2008

    Figura interessante que resume nosso “círculo virtuoso” do porrete no Rio de Janeiro:


    Cidade não é problema. Cidade é solução

    May 11th, 2008

    Este fim de semana vi mais um vídeo muito interessante no TED. O vídeo em questão foi uma apresentação do Jaime Lerner, sobre como transformar e melhorar cidades. A frase título do post é de autoria dele.

    Eu já conhecia o trabalho que o Jaime Lerner fez em Curitiba, mas sem tantos detalhes. Assistir à sua apresentação falando das idéias por trás dessa reestruturação da cidade foi muito interessante. Eu já falei anteriormente que estou muito desanimado com o Rio de Janeiro, e desejo morar em Curitiba no futuro de médio prazo.

    Lerner falou de algumas coisas muito importantes na organização das cidades atualmente. A necessidade de um transporte público de qualidade é gritante. Curitiba conta com uma rede de transportes muito eficiente, com ônibus do tipo “sanfona”, que comportam mais de 200 passageiros. Além disso os pontos de ônibus foram projetados para se encaixar com os ônibus, fazendo com que os pontos sejam semelhantes a paradas de metrô. Isto certamente contribuiu para um trânsito muito mais eficiente do que temos no Rio de Janeiro e em São Paulo, e facilita muito a vida das pessoas. Além disso, reduz bastante a poluição, pela diminuição de carros em circulação.

    Outra coisa interessante que ele mencionou foi o sacrifício que muitas pessoas têm que fazer nas grandes cidades por morar muito longe do local onde trabalham ou estudam. Isto toma muito tempo diariamente das pessoas e somando-se isso ao cansaço, não sobra tempo para muita coisa. Aqui no Rio conheço algumas pessoas que fazem verdadeiras maratonas diárias. O Aspira (estagiário da minha equipe) passa cerca de 6 horas por dia se deslocando, pois todos os dias vai para a faculdade, estágio e então para casa, e todos os trechos são longos. Isto é o tipo da aberração que ocorre bastante em cidades grandes com trânsito complicado, e certamente prejudica bastante as pessoas.

    Para finalizar, ele comentou que Curitiba é a cidade onde mais se faz coleta seletiva de lixo no mundo, com mais de 70% do lixo sendo corretamente separado. Como ele conseguiu isso? Focando bastante atenção da campanha nas crianças, que logo aprendiam este novo processo e então educavam os seus pais. Muito inteligente e muito educativo.

    Pouco depois de assistir à apresentação, fui descobrir que a idéia do “Metrô na superfície” no Rio surgiu em uma consultoria que ele prestou à cidade/estado em 2006. Sem dúvida é uma boa idéia e tem ajudado no controle do tráfego intenso que temos.

    Os paranaenses tiveram a felicidade de contar com o Jaime Lerner como prefeito de Curitiba por 3 vezes e como governador do Paraná por 2 vezes. Sua contribuição para a evolução do estado foi enorme, e certamente a prosperidade oriunda do seu governo é responsável por fazer de Curitiba a cidade onde pretendo morar.

    Infelizmente isso me traz também à cabeça uma lembrança triste. A incrível sucessão de administrações corruptas e incompetentes que temos no Rio nas últimas 2 décadas transformou nossa cidade querida em um lugar caótico. Um palco de batalhas sangrentas do crime contra a polícia. Um lugar onde a educação está em uma situação péssima (enquanto Curitiba é a melhor cidade do Brasil em educação). Um lugar onde a dengue está atacando com cada vez mais força. Onde já foi alertado que o mesmo mosquito trará também a febre amarela. Onde o trânsito está caótico e o custo imobiliário está absurdo.

    Vamos torcer para que no futuro um milagre nos envie alguém como o Jaime Lerner para salvar o Rio de Janeiro. Enquanto isso eu continuo meus planos para me mudar para Curitiba, por onde ele já passou.


    Dicas para aprender inglês rápido e sem gastar muito

    April 2nd, 2008

    Recentemente eu comentei aqui sobre a importância de conhecer bem inglês para quem trabalha com software. Para aproveitar bem os livros que eu coloquei aqui e os livros passados pelo Guilherme, você precisa saber inglês. Sem isso tudo fica mais complicado.

    As pessoas da nossa área têm pouco tempo livre para estudar inglês e os cursos em geral vão te tomar um bom dinheiro até que você tenha um bom nível de conhecimento na língua. Para contribuir com esta causa resolvi passar aqui algumas dicas para quem precisa aprender inglês rapidamente e sem gastar muito.

    É óbvio que o ideal é que você tenha o maior contato possível com a língua, das formas que lhe forem mais convenientes. Sobre isto não entrarei em detalhes. Uma dica muito boa é dar uma olhada na série de livros de gramática chamada “Grammar in Use”. Eu tenho o “English Grammar in Use” e o “Advanced Grammar in Use“, e também existe o “Essential Grammar in Use“. Estas gramáticas são excelentes. Elas são organizadas em um conjunto de tópicos como uso de verbos, preposições, formulações de perguntas, afirmações, negações, etc. Cada tópico específico tem 1 página mostrando as regras com exemplos e 1 página com vários exercícios. Ao final de cada tópico certamente você já saberá adequadamente aquele item específico. Dedicando algumas horas semanais a ler esses livros fazendo os exercícios, rapidamente seu conhecimento gramatical vai melhorar. Pelo que pude ver, a Fnac tem os 3 exemplares, e no total eles custam uns R$ 250,00.

    Em relação ao vocabulário, ler apenas conteúdo técnico limita bastante. É muito interessante ler notícias e artigos sobre temas gerais. Algo como a Veja e a Isto É aqui do Brasil. Boas fontes de conteúdo diversificado são as revistas Newsweek e Time. Nos sites dá para fazer cadastro e receber newsletters por e-mail e acho que por RSS/Atom também. No começo é normal encontrar vários termos novos, mas lendo esse tipo de conteúdo com um dicionário e a gramática ao lado, você conseguirá melhorar rapidamente o vocabulário também.

    Para treinar a audição, claro que assistir a muitos filmes e seriados é uma ótima opção. Se você já estiver num nível razoável, tente assistir a filmes com legenda em inglês. Demora bastante para conseguirmos assistir a um filme em inglês sem legenda alguma. Provavelmente se você tentar vai acabar parando logo no começo, cansado e sem aproveitar nada do filme. As legendas em inglês ajudam muito na compreensão, pois às vezes a pronúncia dos atores é difícil ou as cenas são um pouco barulhentas.

    Estas dicas ajudam no aprendizado por conta própria, mas é claro que fazer cursos ajuda também. Entretanto, recomendo fortemente que evitem fazer cursos nos quais as aulas tenham mais de 5 alunos. Eu fiz durante 3 anos um curso de inglês desconhecido, chamado Winners, que ficava perto da minha casa. Infelizmente o curso já fechou. Uma coisa que eu achava extremamente positivo nele era que todos os professores eram estrangeiros ou tinham morado fora do Brasil por um bom tempo, então todos falavam realmente muito bem. Além disso, tipicamente as aulas tinham 3 ou 4 alunos. Eram 3 horas de aula por semana, e com 3 alunos na aula, cada um chegava a falar mais de 1 hora por semana. Isso é de fundamental importância. Se você tiver 3 horas de aula por semana, mas sua turma tiver uns 8 alunos, talvez você não fale nem 30 minutos por semana. Considere este fator como um dos principais na hora de escolher um curso. Turmas grandes vão te obrigar a ficar no curso por uns 3 anos até saber falar direito.

    Uma última dica: se você tiver amigos que também estão querendo praticar inglês, experimente conversar em inglês por algum IM. Claro que se você estiver no trabalho e o ritmo estiver muito corrido, ficará complicado fazer isso. Mas se a situação permitir e você tiver amigos na mesma situação, o IM é uma boa forma de praticar também.

    Espero que essas dicas sejam úteis para quem quiser aprender inglês. Quem quiser contribuir com mais dicas por favor deixe seu recado por aqui que eu complemento este post. Seguindo estas dicas você não gastará muito e conseguirá progredir rapidamente no seu conhecimento da língua.


    Livros

    March 31st, 2008

    Inspirado pelo post do Guilherme, finalmente arrumei tempo para desengavetar a página de livros que eu queria colocar aqui no blog. Já está disponível a página de livros aqui, onde coloquei uma lista de livros que já li, estou lendo ou pretendo ler. Como a lista é enorme, eu ainda não coloquei todos, mas já tem uma boa quantidade.

    Progressivamente irei complementando esta lista, colocando meus comentários nela e classificando um pouco os livros para ficar melhor de ler. Comentários e dicas de livros são muito bem-vindos, então não hesitem em visitar e deixar suas opiniões aqui.


    …e conhecer Português também!

    January 23rd, 2008

    Claro que para trabalhar com software é fundamental saber se comunicar em Inglês. Mas para trabalhar com qualquer coisa no Brasil é bom você falar Português corretamente também!Desde a época da faculdade eu me surpreendo com a quantidade de pessoas bastante qualificadas e inteligentes que são ruins em Português. Talvez eu esteja dando importância excessiva para isso, mas acho que não. Pode ser que boa parte das pessoas com as quais você trabalhe não ligue muito para isso, mas te garanto que muitas pessoas terão uma certa imagem negativa ao vê-lo cometer erros grosseiros de Português. Ah, e por favor.. falar Tupi é pior ainda! (”Mim fazer alguma coisa”)

    Um exemplo interessante que acontecia comigo é que no meio da faculdade eu já sabia que não queria trabalhar com eletrônica, mas eu tive que cursar Eletrônica 1, 2, 3 e 4. Era muito chato fazer os trabalhos preparatórios e os relatórios das aulas práticas. Como quase ninguém gostava de fazer esses trabalhos, muitas vezes a gente revezava quem ia fazer o trabalho original e os outros iriam modificando e customizando as suas cópias do trabalho :). O interessante é que dependendo de quem estivesse fazendo o relatório (eu tenho alguns amigos que são muito inteligentes, mas escrevem mal), meu único trabalho era corrigir o Português e entregar. E o melhor, com certeza se o professor pegasse 2 relatórios e achasse que um era cópia do outro, provavelmente ele pensaria que o original era o bem escrito, então eu não teria problemas ;)
    Brincadeiras à parte, você não precisa ser o professor Pasquale, mas tente ser cuidadoso ao se comunicar de forma escrita. Uma possibilidade é pedir para outra pessoa revisar rapidamente o que você está escrevendo. Observar a escrita de pessoas que escrevem bem também ajuda bastante. Aliás, isso mais uma vez reforça o ponto levantado pelo Guilherme, da importância da leitura.

    De uma maneira geral, quem lê muitos livros também escreve bem. Como o processo de publicação de livros é bastante criterioso, dificilmente você lerá um livro com português ruim. O hábito de ler bastante refinará os seus conhecimentos da língua e melhorará também o seu vocabulário.

    Se você é um bom profissional, com certeza não vai querer prejudicar a sua imagem por escrever mal. Tente ler mais e aos poucos ir melhorando sua forma de escrever, isso só te trará benefícios. E claro, se quiser expandir seus hábitos de leitura, eu estarei por aqui escrevendo com freqüência para te oferecer conteúdo! :)


    Conhecer bem inglês é muito importante…

    January 23rd, 2008

    Num post do Guilherme sobre livros, ele mencionou algo que eu repito com freqüência, então resolvi aproveitar o gancho deixado por ele :)Para quem quer trabalhar com software, é fundamental conhecer bem inglês. Se você não for capaz pelo menos de ler razoavelmente em inglês, você estará se privando de praticamente toda a documentação de qualidade da área. Sem dúvida temos traduções para português de muitos livros bons, porém muitos ficam sem tradução. Além disso, você terá que esperar no mínimo vários meses após o lançamento original até que saia a versão traduzida.

    Vale dizer que os livros são a parte mais fácil da história, pois alguns ainda são traduzidos. Temos visto em nossa área as coisas acontecerem de uma forma muito mais dinâmica à medida que o tempo passa, e muitos assuntos só possuem referências na internet, e raramente você encontra versão em português para alguma coisa. Eu tenho aprendido muito sobre alguns assuntos lendo opiniões de caras que são referências, e a absoluta maioria é em inglês, e NÃO, eles NÃO vão traduzir nada :)
    Além da parte de simplesmente ler e aprender novos conteúdos, se você não conhece bem inglês, perde a ótima chance de interagir com os caras que estão participando da definição de coisas novas que vão surgindo e você precisará usar mais tarde. Especialmente no contexto de software open source, a participação da comunidade de usuários e desenvolvedores é fundamental para o sucesso de qualquer iniciativa. Muito do que os usuários falarem, criticarem ou sugerirem será crucial para os caminhos que os projetos irão tomar. Eu já tive algumas interações bem interessantes com os desenvolvedores do Mylyn, do Wicket e interações menores com desenvolvedores de outros projetos, e se eu não fosse capaz de me comunicar em inglês nada disso teria sido possível.

    If you wanna excel in this field and you don’t speak english very well, do yourself a favor: start improving your english skills right now! :)


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