Recentemente tive umas conversas sobre marketing pessoal, e algumas pessoas me pediram para colocar algumas idéias aqui, então estou o fazendo
Bom, primeiro um alerta. Eu estou longe de ser um guru de marketing pessoal, e ainda preciso e estou aprendendo bastante coisa. Caso você tenha idéias sobre este assunto que eu não tenha mencionado aqui, por favor compartilhe-as, pois eu também tenho todo o interesse em conhecer mais disso.
A origem das discussões foi um post que saiu no Coding Horror, que cita alguns posts do Steve Yegge, um engenheiro do Google bastante famoso, que tem alguns dos melhores posts sobre carreira em software que eu já vi.
Vou começar contextualizando um pouco com a motivação que eu tive para me ligar mais em marketing pessoal. Este não é um post muito curto, então se você não estiver com saco para ler, melhor parar por aqui mesmo
Eu comecei a prestar atenção em marketing pessoal depois de algumas frustrações intensas, e claro, após observar que isso de fato faz muita diferença. Sobre frustrações, deixe-me explicar. Durante um certo tempo na minha carreira eu tinha a sensação de que eu estava quase sempre com azar, por estar em projetos com pouca visibilidade, naquelas situações em que não faria a menor diferença se você fizesse o melhor trabalho do mundo ou um trabalho picareta e sem-vergonha. Eu odiava essa sensação.
Digo mais, eu odiava SABER que eu tinha muito mais capacidade que outros caras que estavam aparecendo muito mais que eu, e muitas vezes os caras não tavam fazendo NADA de diferente dos outros. Depois de algum tempo frustrado, eu percebi que nós mesmos temos que nos colocar nas situações que desejamos. Se você ficar esperando os seus chefes ou “a gerência”, ou “a direção” PROCURAR quem são os qualificados para colocá-los em destaque, tu tás ferrado meu amigo! Isso não existe.
Eu passei por uma situação que me deixou puto demais um tanto irritado. Tinha uma aplicação legada na equipe que eu estava que era uma porcaria. A equipe estava meio acomodada, e apesar de ninguém gostar da aplicação, ninguém nunca movia uma palha pra mudar nada.
Pois bem, no meu tempo vago eu peguei esta aplicação e comecei a migrá-la para usar uma versão mais recente do JDK refatorando as coisas que mais me incomodavam na arquitetura. Mas tentando manter a topologia, de forma que os outros desenvolvedores não tivessem dificuldade em trabalhar na nova implementação. Quando eu tinha migrado uns 40% da aplicação, eu mostrei para outras pessoas como estava indo a coisa. Todos gostaram e eu consegui alguma ajuda nesta migração.
Poucas semanas depois, já tínhamos migrado a aplicação integralmente, com exceção de alguns requisitos secundários que precisariam ser validados oficialmente. Nessa época surgiu um daqueles projetos blockbuster que simplesmente mobilizam tudo e todos, aí fui forçado a abandonar esta migração temporariamente.
Um pouco depois que esse projeto novo começou, eu fui descobrir que a migração que eu comecei estava sendo passada adiante, e outras equipes e alguns gerentes já estavam sabendo. Infelizmente para mim, foi “omitido” o fato de que eu havia começado originalmente esse projeto, e os louros estavam sendo passados a outras pessoas.
É claro que isso me deixou muito puto desapontado, e desde esse momento eu disse para mim mesmo que não poderia ficar sujeito a isso nunca mais. Eu vi como era fundamental que as pessoas soubessem o que eu estou fazendo, pois senão eu continuaria frustrado por muito tempo.
Deste episódio infeliz pra cá, passei a prestar muito mais atenção em marketing pessoal. Estudei muita coisa interessante, criei o blog, escrevi artigos, me apresentei algumas vezes, interagi muito mais com outras pessoas, outras equipes. Isso tem sido muito legal e positivo para mim, e sem dúvida hoje eu estou muito mais satisfeito profissionalmente do que antes.
Este é um fato com que temos que conviver. Tão importante quanto matar a cobra é mostrar o pau (sem trocadilhos
).
Eu conheço profissionais de tudo que é jeito. Tem os caras muito bons que ficam na sua, sem pensar muito em marketing. Tem também uns marketeiros de primeira que não fazem nada de importante, mas estão sempre dando um jeito de ficar bem na fita. E tem uns caras que são muito bons e também estão ligados na questão de marketing pessoal. De uma maneira geral, estes últimos são os que têm mais sucesso.
Caras que sejam puramente marketeiros uma hora vão cair. Ninguém consegue se sustentar só com marketing. Caras que são muito bons, mas ficam na sua, vão ter que dar sorte de encontrar as pessoas certas e estarem nos lugares certos, pois caso contrário seu sucesso será limitado. E os caras muito bons que sabem se vender terão uma chance muito maior de sucesso, pois eles cavam as oportunidades. Eles procurarão os lugares certos, e a chance de serem lembrados quando surgirem as oportunidades é muito maior.
É claro que fazer sempre um bom trabalho é a coisa mais importante para a sua imagem. Se você não tiver esse ponto a seu favor, esqueça de todo o resto. Porém, muitas vezes isto não é suficiente, e é nestes casos que o marketing pessoal pode te ajudar na carreira.
Uma frase que ouvi de um grande líder e que eu não vou esquecer nunca é: “Poder não se pede, poder se toma!”. Páre de reclamar que seu chefe não tá dá espaço, conquiste seu espaço!
A propósito, eu estou me esforçando para me enquadrar na categoria dos caras bons que sabem se vender. Como a maioria dos desenvolvedores, eu sempre dedico mais tempo à parte técnica, mas venho aprendendo melhor sobre a questão do marketing também, e isso com certeza é de suma importância para qualquer profissional.
Escreverei em seqüência um outro post sobre este assunto, mas com dicas objetivas sobre o tema, para facilitar a leitura dos impacientes 