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  • As diferentes culturas open source - Ubuntu x Debian

    May 18th, 2009

    Eu sempre gostei muito de open source, e durante a maior parte da minha carreira trabalhei com open source em vários níveis. Com freqüência eu penso sobre vários aspectos da cultura open source, e recentemente tive contato com 2 coisas em particular que eu gostaria de destacar. Falarei sobre uma delas nesse artigo, e sobre a outra no artigo seguinte.

    A primeira delas diz respeito à diferença de filosofia entre o Ubuntu e o Debian. Eu uso Kubuntu em casa há quase 3 anos. É a minha distribuição preferida, depois de já ter usado várias desde 2003, quando comecei a usar Linux em casa.

    Na sexta-feira chegou na Concrete o meu laptop para uso diário, um Dell Vostro 1510, e nesse fim de semana eu instalei nele o Debian Lenny e configurei tudo que eu precisava para já começar a trabalhar com ele na segunda-feira. Instalei o Debian porque ele foi definido como distribuição padrão da empresa, então tive que abrir mão do Kubuntu.

    O Kubuntu é baseado no Debian, então a grande maioria das coisas não muda entre os 2. Contudo, como diz o ditado: “O diabo está nos detalhes”. As notáveis diferenças entre o Debian e o Kubuntu são as coisas que o Kubuntu facilita demais, como configuração de conexão wireless, drivers multimídia do teclado, entre outras coisas. Nesses detalhes você consegue perceber claramente a diferença de cultura, pois o Debian tem uma postura quase religiosa quanto ao uso de softwares que não sejam “totalmente open source”.

    Já no Ubuntu, a postura é de usar open source ao máximo, mas facilitando a vida dos usuários. Assim, quando você precisa de um driver ou componente proprietário, o Ubuntu te avisa que não é totalmente open source, mas já prepara tudo para que você tenha o mínimo de aborrecimento. Isso faz toda a diferença, pois muita gente (como eu) quer usar um desktop Linux que “simplesmente funcione”.

    Quando eu comecei a usar Linux em casa eu gostava de fuçar e conhecer cada detalhe, como aprendizado mesmo. Isso foi ótimo para mim, e certamente me ajuda muito profissionalmente. Porém, hoje meu foco é outro, e eu quero que minha máquina “simplesmente funcione”, sem ter que estudar para configurar coisas cotidianas. O Ubuntu ganhou uma fatia enorme dos usuários Linux porque oferece isso. Já o Debian te oferece ricas aulas sobre o “pensamento verdadeiramente open source” e sobre os detalhes das entranhas do Linux. Mas a contrapartida é que você vai ter que estudar muito pra fazer coisas que no Ubuntu são triviais.

    Cada um tem a sua própria visão e postura sobre open source, e devemos respeitar as diferentes formas de pensar. Eu particularmente me identifico muito mais com a visão “open source profissional”, sobre a qual falarei no próximo artigo.


    Ubuntu virando cada vez mais a distribuição Linux padrão

    November 12th, 2008

    Li recentemente uma matéria que fez um estudo interessante sobre a situação atual do uso de algumas das principais distribuições Linux. O estudo não utilizou uma metodologia exatamente científica, mas as conclusões não deixam de ser válidas.

    O estudo observa uma tendência de que o Ubuntu seja cada vez mais a cara do Linux. Na verdade parece que a “marca” Ubuntu está com um progresso muito mais vigoroso do que a “marca” Linux, e provavelmente em breve a “marca” Ubuntu será a mais forte das duas.

    Eu particularmente acho isso muito bom. Durante muitos anos o percentual de uso das principais distribuições Linux foi muito pulverizado. Havia uma gama enorme de opções, e não havia uma concentração tão forte em torno de nenhuma delas. É verdade que o Red Hat teve uns momentos muito bons até a versão 9 (última versão gratuita), mas depois que eles mudaram o modelo comercial, perderam muitos usuários caseiros.

    Com a concentração em torno do Ubuntu/Kubuntu, acho que as chances de sucesso do Linux no desktop de usuários comuns aumentam muito. Um facilitador muito importante no rápido crescimento do Windows foi que muitas pessoas o conheciam, e então eram capazes de orientar novos usuários e ajudar na solução de problemas de forma rápida. Isso é muito mais fácil quando se tem um sistema operacional e interfaces de usuário com o mesmo padrão.

    Se tivéssemos a grande maioria dos usuários Linux usando Ubuntu/Kubuntu, ficaria muito mais fácil que novos usuários tivessem facilidade em encontrar ajuda. Isso diminuiria muito as barreiras de entrada no uso do Linux em computadores caseiros por pessoas leigas.

    É claro que continuarão existindo outras distribuições, mas com um foco direcionado em públicos específicos, ou finalidades específicas. Não há nada de errado em ter muitas opções, mas a adoção do Ubuntu como padrão facilitaria muito as coisas.

    Uma coisa que eu não consigo entender é o que fazem algumas montadoras de computadores no Brasil. Já cansei de ver computadores com Linux à venda em supermercados e lojas em geral. Isso é legal de se ver. Porém, cada fabricante diferente (e são vários) usa uma distribuição diferente, e pouco comum. Isso com certeza dificulta muito o aprendizado de novos usuários Linux, e o que acaba acontecendo é que as pessoas mais humildes compram cópias piratas do Windows e instalam em suas máquinas que vieram com Linux.

    Será que não seria mais fácil a Itautec, Positivo, CCE, etc etc etc, simplesmente usarem o Ubuntu/Kubuntu e customizarem só uma ou outra coisinha? Porque instalar umas distribuições que ninguém nunca viu, e que dificultam muito mais a vida dos usuários?

    Será que isso é para conseguir vender suporte? Se for, acho que isso é um tremendo tiro no pé, pois as empresas correm um enorme risco de que as pessoas nem comprem os seus produtos ou então simplesmente troquem o Linux que veio instalado por um Windows piratão.

    O sucesso do Linux no desktop do povão pode ser muito ajudado pelo sucesso do Ubuntu, então eu fico muito feliz com o crescimento vigoroso que este vem tendo. Só torço para que as montadoras de PCs nacionais acordem e passem a disponibilizar o Ubuntu em vez de umas distribuições sem-vergonha que ninguém conhece e que ninguém vai usar.

    Ajude o Linux e o Open Source no Brasil. Use e divulgue uma distribuição que até o nosso presidente saiba falar! Ubuntu! :)


    Kubuntu 8.04: primeiras impressões

    April 27th, 2008

    Neste fim de semana eu atualizei o Linux do meu desktop em casa, instalando o Kubuntu 8.04 (Hardy Heron). Inicialmente eu instalei a versão com o KDE 4, pois já é a versão 4.0.3, e imaginei que já poderia usar tranqüilamente.

    De mais chato, encontrei apenas um problema para instalar extensões do Firefox. Nenhuma extensão estava sendo instalada com sucesso, devido a um problema com o Extension Manager do Firefox. Pelo que pude ver, o problema é específico do pacote do Firefox que veio com o Kubuntu, pois ele estava configurado para utilizar um diretório de extensões incorreto. Eu consegui resolver o problema baixando o Firefox do site oficial e instalando-o por fora do gerenciador de pacotes.

    O que me incomodou mais não foi nem isso, foram questões referentes ao KDE 4 em si. Pelo que pude ler depois, o pessoal do KDE não está recomendando ainda esta versão 4.0.x para os usuários em massa. Eles estão recomendando esperar pela versão 4.1.

    O motivo por trás disso eu pude constatar. Diversas funcionalidades básicas de configuração que existem no KDE 3 simplesmente não foram implementadas no KDE 4 ainda. Por exemplo, eu não conseguia diminuir a fonte do relógio, e quando eu reduzi a altura da barra de tarefas do KDE, o relógio simplesmente ficou cortado no meio. Eu também não consegui criar atalhos na barra de “Quick Launch”, o que me incomodou bastante.

    Um último detalhe que eu me lembro é que tanto o Dolphin como o Konqueror estavam com problemas para guardar as preferências de gerenciamento de arquivos. Eu gosto de deixar o modo de visualização de arquivos e pastas como “Lista Detalhada” e sempre ordeno a lista por tipo de arquivo. Por algum motivo que eu não cheguei a descobrir, eles não estavam salvando corretamente esta minha escolha e sempre que eu abria uma nova pasta, a exibição voltava para o formato “Ícones”, com alguma ordenação qualquer.

    Depois de pouco mais de uma hora me irritando com estas limitações do KDE 4, resolvi instalar a versão do Kubuntu com o KDE 3 (3.5.9 especificamente). Esta versão já é bem melhor, totalmente estável e personalizável. Não tive absolutamente problema algum e tudo funcionou corretamente e de forma fácil, como já me acostumei em relação ao Kubuntu.

    Eu recentemente usei em casa o Mepis e o PcLinuxOS, mas a verdade é que a melhor distribuição com KDE é o Kubuntu. No meu notebook eu ainda estou com o Mepis, e gosto bastante da distro. Não pretendo trocar não. Entretanto, a distribuição que mais recomendo é mesmo o Kubuntu e esta versão 8.04 está rodando redondinha aqui em casa.

    Quanto ao KDE 4, embora ele seja bastante promissor, ele ainda não está adequado para a maioria dos usuários. Eu gosto bem mais do KDE do que do Gnome, e estou certo de que em breve o KDE 4 será a melhor opção disponível. Nos próximos meses, entretanto, recomendo a confiabilidade do KDE 3.5.x.


    10 principais barreiras para o sucesso do desktop Linux

    March 29th, 2008

    Recentemente eu li um artigo muito interessante sobre as principais barreiras que dificultam o sucesso em massa do desktop Linux. Eu já uso Linux em casa desde 2003 e utilizei uma boa variedade de distribuições. Já usei distribuições baseadas em Debian, outras derivadas do Red Hat. Algumas utilizavam Gnome, outras KDE (meu preferido).

    Entre as distribuições que me lembro que já usei estão (em ordem mais ou menos cronológica): Conectiva, Red Hat, Knoppix, Mandrake/Mandriva, Suse, Ubuntu/Kubuntu, Mepis e Pc LinuxOS. De uma maneira geral a minha distribuição preferida é o Kubuntu, pois faço questão do KDE e de uma maneira geral o Ubuntu/Kubuntu é a distribuição melhor suportada para a maioria das coisas que você for usar. Após esta experiência em variadas distribuições, pude conhecer o suficiente sobre Linux para saber me virar bem em qualquer versão que eu tenha que usar.

    Recentemente a Globo.com migrou os desktops dos desenvolvedores para Linux. Eu já estou usando Linux no trabalho há quase 1 ano, mas as pessoas em geral receberam seus desktops novos com Linux no começo desse ano. Grande parte das pessoas ainda não havia usado Linux como desktop, conhecendo apenas algumas coisas de linha de comando pela experiência de acessar nossos servidores. Com isso, tenho tentado ajudar da melhor forma possível para que a transição deles seja suave. Eu gosto muito de Linux e quero que sua adoção cresça e que as pessoas em geral tenham uma boa experiência de uso.

    Apesar de gostar bastante e utilizá-lo quase em tempo integral, não sou do tipo fanático que só vê vantagens. Há algumas coisas que incomodam razoavelmente se você não souber contorná-las, e um novo usuário freqüentemente encontra dificuldades com isso. Como este artigo que mencionei aborda de forma bem interessante estas barreiras comuns, listarei-as aqui e deixarei meus comentários.

    1 - Consistência e percepção: com a enorme variedade de distribuições disponíveis, os usuários têm uma enorme liberdade de escolha. Entretanto, isso também traz a característica de que as coisas mudam muito de uma distribuição para a outra. Se você sabe como usar ou configurar alguma coisa em uma determinada distribuição, isto não garante que você conseguirá fazer a mesma coisa em outra distro. A facilidade de uso de uma distribuição para a outra varia bastante. Isto sem dúvida dificulta que um usuário experiente ajude um iniciante, caso a distribuição seja diferente. Como o Windows é uma coisa só, a interface e as configurações não mudam quase nada de um usuário pro outro. Isso facilitou muito a adoção em massa, e usuários novos conseguem rapidamente aprender com usuários experientes. Embora isto possa incomodar os puristas, eu acho que o Linux teria bem mais chances de sucesso se em vez de centenas de distribuições, tivéssemos umas 3 ou 4 no máximo, e os esforços ficassem concentrados nestas.

    2 - Fraco suporte a dispositivos móveis: com pouquíssimas exceções, sincronizar dispositivos móveis no Linux é pauleira. Enquanto isto não for tão simples quanto usar um pen drive, esta barreira complicará muito o uso do Linux por usuários comuns. Eu sei que sincronizar um celular ou PDA é bem mais difícil de implementar do que acessar um pen drive, mas o usuário final não quer saber disso quando escolhe um sistema operacional para usar.

    3 - Encontrar software compatíveis ao mudar de SO é difícil: é claro que existe muito mais software para Windows do que para Linux. A maioria dos softwares possui equivalentes no Linux, mas a qualidade destes substitutos varia muito. Usuário não-técnicos vão relutar muito em trocar o Office pelo Open Office. Apesar de eu conseguir usar tranqüilamente o Open Office em geral, os formatos amplamente aceitos ainda são os da Microsoft. Tentar usar o Open Office para modificar arquivos do Word ou Excel pode trazer muitas dores de cabeça, especialmente se você precisar salvar no formato Office original. Existe o Crossover Office que suporta muito bem o Office no Linux, mas ele não é gratuito e pouca gente conhece. Ainda temos muito que avançar nesta área.

    4 - Problemas com wireless: é vastamente sabido que utilizar dispositivos wireless em geral no Linux é muito complicado ainda, e dependendo do seu hardware e distribuição, isto pode ser muito tranqüilo ou um pesadelo. Os procedimentos de contorno disso variam muito de uma distribuição para a outra, e um usuário comum dificilmente vai saber se virar com isso. Probleminha complicado também.

    5 - Listas de compatibilidade de hardware: alguns fabricantes principais de hardware já suportam muito bem o Linux e isto vem melhorando rapidamente. Para a grande maioria dos componentes já é possível usar tudo perfeitamente no Linux, mas caso você tenha algum modelo não muito comum, pode ter problemas. Além disso, é difícil saber previamente se tudo vai funcionar antes de você tentar. Os CDs bootáveis ajudam muito nisso, permitindo que você teste previamente seu hardware antes de instalar em disco. Este problema eu acredito que muito em breve deixará de ser considerado.

    6 - Necessidade de compilar novos módulos de drivers: caso você precise instalar um novo driver no Windows, basicamente você usa um instalador com Next -> Next -> Next. No Linux, você pode precisar compilar o driver, e isto é bem enjoado. Eu lembro que quando comecei a usar Linux em casa, algumas distribuições não vinham nem com módulo de USB ativo. Eu já tive que compilar e configurar módulo de USB para conseguir usar pen drives e câmeras digitais. Isto é muito chato, mas felizmente hoje em dia acontece muito pouco. Exceto em casos muito específicos você nunca precisará mais fazer isso, e acho que já podemos deixar esse problema em segundo plano.

    7 - Sério interesse comercial: boa parte das empresas não-técnicas ainda não se importam muito com Linux. Com isso, ainda é freqüente termos que nos virar para conseguirmos reproduzir formatos proprietários de música, vídeo e outras coisas. As empresas em si não disponibilizam codecs pra Linux na maioria dos casos. Eles são desenvolvidos de forma open source, e em alguns casos o suporte ainda é ruim. Acho que daqui a uns 2 ou 3 anos já teremos uma parcela suficiente de usuários não-Windows para que esta postura mude. Enquanto o Windows tem mais de 90% do mercado, financeiramente não é tão fácil convencer diretorias de empresas a investir em outros sistemas operacionais. Se conseguirmos ter algo entre 15 e 20% dos usuários com Linux e Mac, a coisa já muda um pouco de figura, e o suporte melhorará.

    8 - Software prontamente disponível: os usuários de Windows estão acostumados a encontrar os softwares para instalar na internet, baixar o instalador e Next -> Next -> Next. No Linux isto é diferente, como já falei previamente. As pessoas estranham inicialmente o conceito de repositórios de pacotes, mas isso na verdade facilita bastante os usuários depois que eles aprendem isso. Este problema será reduzido à medida que mais empresas comecem a adotar Linux. Usuários iniciantes serão capazes de aprender isso rapidamente com usuários experientes, e daqui a algum tempo esta diferença já deve ser vista até como um ponto forte do Linux.

    9 - Workarounds vs. correções de bugs: as distribuições variam muito em termos de agilidade de uma para a outra. Algumas oferecem o que há de mais recente em termos de software para os usuários, mas isto os expõe também a mais bugs. Como estas distribuições são mais populares, rapidamente surgem formas conhecidas de contornar os problemas, antes de saírem as correções dos bugs. Outras distribuições (como Debian e Slackware) colocam apenas versões altamente testadas e maduras em seus lançamentos. Os usuários ficam com software defasado, mas muito mais estável. Devido a este fato, algumas distribuições são muito mais usadas em desktops, e outras muito mais comuns em servidores. O kernel do linux e seus princiais módulos são muito, muito estáveis e confiáveis. Já os software gráficos e de uso por usuários finais têm qualidade bem inferior. Temos aplicações de alta qualidade (como as que fazem parte das suites do KDE e Gnome), mas também temos softwares cheios de bugs que podem prejudicar a usabilidade. Ao longo do tempo a qualidade vai melhorando, e para a maioria dos softwares usados por pessoas comuns os bugs são poucos.

    10 - Evangelistas e puristas: algumas pessoas têm uma visão pragmática e realista quanto ao Linux, e enxergam claramente suas qualidades, mas também as falhas. Outras simplesmente acham que é a melhor coisa do mundo para todos, sem analisar as dificuldades que pessoas comuns enfrentam. Precisamos ter uma postura madura em relação a software. Não podemos “nos apaixonar cegamente” por nada. Se enxergamos os pontos onde o Linux precisa melhorar e discutirmos eles abertamente, será muito mais fácil progredir. Entrar em flame wars de Linux x Windows é perda de tempo e energia. Cada um tem suas vantagens, e as pessoas podem ter opiniões e gostos diferentes. É ótimo que existam os 2, pois a concorrência ajuda a elevar o nível geral dos sistemas.

    Torço muito para que o Linux continue evoluindo bastante e que em breve tenhamos cada vez mais facilidade para usá-lo. Posso dizer que desde 2003 quando comecei a usar, ele já melhorou e muito. Não dá nem pra comparar a situação atual com a de 2003. Estamos num patamar muito superior.

    O mesmo eu não posso dizer do Windows. Em 2003 o Windows XP já estava amplamente disponível e as pessoas já o conheciam bem. Eu gosto bastante do Windows XP, ele é um ótimo sistema operacional. Já a sua “evolução”, o Windows Vista, pra mim é uma porcaria. Eu não consigo usá-lo. É muito mais pesado que o Windows XP e não me trouxe nenhuma vantagem. Eu já instalei ele em casa e ele veio no meu notebook, mas eu já voltei para o Windows XP em todas as máquinas que tiveram o Vista. Por mim eu simplesmente pulo a atualização pro Vista e espero por uma nova versão do Windows que venha depois. Muita gente compartilha desta opinião, então a Microsoft precisa trabalhar bastante.

    Com o crescimento da adoção de open source, acho que aos poucos o Windows terá seu domínio reduzido, embora ainda deva continuar dominando por muitos anos. Acho que o Linux está bem encaminhado e evoluindo bastante na comparação com o Windows. Vamos torcer para que ambos evoluam bastante ao longo do tempo, pois assim todos nós ganhamos. E chega de flame wars, por favor :)


    Microsoft faz oferta de compra do Yahoo! por US$44,6 bilhões

    February 1st, 2008

    Em um post anterior aqui no meu blog, eu havia mencionado que fazia todo sentido para as 2 empresas a compra do Yahoo! pela Microsoft.O Yahoo! é uma empresa bastante criativa e que sabe ganhar dinheiro com propaganda na internet, mas estava passando por problemas financeiros graves. A Microsoft tem mais dinheiro do que qualquer outra empresa de software, mas não conseguiu ainda estender os seus domínios ao espaço da internet. Além disso, a Microsoft tem sido sempre muito vagarosa em qualquer movimento tecnológico, e tem mantido sua posição confortável de faturamento basicamente com as vendas de Windows e Office.

    A junção das 2 empresas trará dinheiro para investimentos tecnológicos do Yahoo! e trará para a Microsoft a expertise do Yahoo! em propaganda na internet. Esta compra tem obviamente uma grande relevância no mercado, e será interessante ver como se sairá o Google nesta disputa.

    Eu particularmente acredito que o Google está tão bem servido de profissionais e de finanças que será muito difícil a Microsoft alcançá-lo em termos tecnológicos. É claro que com o enorme faturamento que a Microsoft terá, ela continuará numa posição muito confortável financeiramente. Mas em termos de vanguarda de software, a Microsoft tende a ficar cada vez mais para trás.

    Vamos esperar o desenrolar de todas essas aquisições recentes para ver como o mercado ficará, mas bem que o Google podia comprar o Ubuntu e dar uma canseira na Microsoft na briga por sistemas operacionais também ;)


    Formas de instalação de software em Linux

    November 30th, 2007

    Uma das principais diferenças no uso do Linux em relação ao Windows é a maneira de se instalar softwares no primeiro. Como muitas pessoas próximas a mim estão começando a usar Linux, resolvi dedicar um tempo para explicar de forma clara as principais coisas a se saber sobre isto no mesmo.No Windows todos estão acostumados ao famosíssimo Install Shield, que após a tradicional seqüência de Next -> Next -> Next deixa as aplicações prontas para utilização. No Linux, embora até exista o Install Anywhere (http://www.macrovision.com/products/installation/installanywhere.htm?link_id=rightnav), irmão do Install Shield, ele definitivamente não é muito popular, e portanto não entrarei em maiores detalhes sobre o mesmo.

    Começarei então a falar sobre as formas clássicas de instalação de software no Linux.

    Old School/Advanced

    Esta forma era a mais comum inicialmente, e ainda é utilizada por algumas pessoas, principalmente quando se deseja instalar o software de forma otimizada para o hardware específico no qual ele irá rodar. Esta forma consiste em obter o código fonte da aplicação e executar os 3 passos mágicos:
    ./configure
    make
    make install

    Isto respectivamente irá gerar um makefile para a aplicação, realizar o processo de construção(build) da aplicação e realizar os passos necessários para a efetiva instalação do software. Este processo otimiza a instalação da aplicação para o hardware específico da máquina, pois o compilador consegue identificar as propriedades do hardware e efetuar algumas otimizações baseadas na arquitetura do mesmo. Instalar desta forma é recomendado quando você quer otimizar a execução de uma aplicação ou serviço específico, como um servidor de banco de dados ou o Apache por exemplo. Conheço um cara da Globo(um tal de Coró… hehehehe) que usa a distribuição Gentoo, que instala TODOS os softwares compilando e construindo as aplicações de forma otimizada. Isso é purismo demais para mim, prefiro formas mais fáceis :)
    Arquivo shell auto-suficiente

    Uma outra forma de instalar softwares no Linux é com o uso de um instalador em formato shell (.sh). Tipicamente este arquivo conterá nele mesmo tudo o que ele precisa para instalar a aplicação. Uma execução simples do arquivo normalmente instala o programa perguntando algumas informações como local de instalação e uma ou outra opção de configuração. Entretanto, não é raro encontrar instaladores que ao serem executados fazem tudo sozinhos (a não ser que você mande-o fazer diferente) e instalam o software com opções padrão. Esta forma de instalação é quase sempre oferecida por aplicações que suportem múltiplos formatos de instalação, pois esta forma atende a qualquer versão de Linux.

    Instalação através de gerenciadores de pacotes (package managers)

    Esta é sem dúvida a forma mais fácil e recomendada de instalar a grande maioria dos softwares no Linux. Uma das coisas mais importantes que um novo usuário Linux deve aprender é como funciona o gerenciamento de pacotes. Existem 2 formatos principais de pacotes, os rpms e os debs (arquivos .rpm e .deb). A maioria das distribuições escolhe um destes 2 formatos para adotar como padrão, e acredito que a adoção de ambos seja parecida, sem haver um predominante.

    O gerenciamento de pacotes no Linux armazena uma lista de fontes de pacotes. Esta lista contém repositórios de pacotes no quais poderão ser obtidos os instaladores das aplicações já no formato que a sua distribuição específica adotar como padrão. As distribuições derivadas do Debian (como Ubuntu e Kubuntu) guardam a lista de repositórios de pacotes no arquivo /etc/apt/sources.list. Não sei dizer onde ficam guardadas as listas de repositórios de rpm nas distribuições que utilizam este formato como padrão, mas geralmente as distribuições oferecem uma interface gráfica para gerenciamento destas listas de repositórios, então não é nada muito complicado de se acessar.

    Para conseguir instalar uma determinada aplicação através do gerenciador de pacotes, você precisa basicamente saber se o pacote que você deseja instalar está contido nos repositórios cadastrados e então solicitar a instalação do pacote específico. Como exemplo, o comando que solicita a instalação do firefox no Kubuntu/Ubuntu é “sudo apt-get install firefox”. Caso o pacote do firefox por acaso não estivesse presente em nenhum dos repositórios cadastrados, seria exibida uma mensagem de falha na instalação com a descrição “no installation candidate for firefox”.

    Além de instalar através dos repositórios cadastrados é possível instalar pacotes obtidos individualmente também. Você pode ter obtido diretamente o arquivo .deb ou .rpm da aplicação que deseja instalar, e aí você pode instalar diretamente a partir deste pacote obtido, em vez de baixar arquivos do gerenciador de pacotes. Para instalar diretamente um pacote .deb, você faz dpkg –install nome_pacote.deb. Para instalar diretamente um pacote .rpm você faz rpm –install nome_pacote.rpm.

    Instalando as aplicações através do gerenciador de pacotes, você consegue remover e atualizar as aplicações pelo gerenciador, e então as instalações ficam sob controle centralizado e a manutenção do sistema fica mais fácil e padronizada.

    Embora saiba que não ofereci nem de longe uma referência completa deste amplo tema, espero ter sido capaz de esclarecer um pouco do processo de instalação de softwares no Linux para usuários novos. Caso eu tenha deixado algum ponto mal explicado ou vocês desejem trocar alguma idéia a respeito disso, não hesitem em entrar em contato!


    Distrowatch

    November 28th, 2007

    Para quem ainda não conhece, aqui vai a dica de um site muito legal sobre Linux. O Distrowatch é um site que agrega informações sobre inúmeras distribuições Linux, incluindo todas as mais populares até algumas totalmente desconhecidas.Para os interessados em conhecer mais sobre Linux e suas principais distribuições, este site é um bom ponto de partida. Ele possui uma página para cada distribuição, informando o ambiente gráfico, notícias de lançamento de versões, análises da distribuição que tenham sido publicadas, screenshots, versões dos diferentes softwares, e muito mais coisa.

    Eu já uso Linux em casa desde 2003, e já instalei uma boa quantidade de distribuições. Já há cerca de 1 ano eu uso o Kubuntu (gosto muito mais do KDE do que do Gnome), mas já usei Conectiva, Red Hat, Knoppix, Mandrake, Suse e instalei até o Solaris 10 (mas este só durou um dia, impossível usar aquele Java Desktop System pesadíssimo).

    As preferências por distribuições variam muito de uma pessoa pra outra, mas atualmente eu recomendo utilizar ou o Kubuntu ou o Ubuntu. A diferença entre os 2 é que o primeiro usa o KDE e o segundo usa o Gnome como interface gráfica. Eu particularmente prefiro muito o KDE, mas várias pessoas gostam do Gnome também.

    Quem estiver interessado em começar a usar e quiser umas dicas, estamos aí pra ajudar!


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